quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Comissão de Combate ao Trabalho Infantil: estímulo ​à inserção de aprendizes no mercado de trabalho

Em janeiro de 2015, a Comissão de Erradicação do Trabalho Infantil do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região,​por meio ​de uma campanha focada na disseminação do Cartão Vermelho ao Trabalho Infantil, ​ criado pela OIT, em parceria com a FIFA, ​iniciou uma ​sensibilização da sociedade acerca da importância de combate ao trabalho infantil e proteção do trabalho do adolescente. Naquele momento, desenvolveu de forma simultânea, em parceria com a empresa Proativa do Pará, uma ​ação de inserção de adolescentes e jovens de famílias ​de baixa renda da Região Metropolitana de Belém em Curso de Preparação para Aprendiz, com o objetivo de proporcionar àqueles que necessitam trabalhar, a oportunidade de ingressar no mercado de trabalho de forma legalizada, conforme prevê a Lei de Aprendizagem (Lei nº. 10.097/2000). ​Com isso, foram ofertadas vagas ​que poderiam ser utilizadas de acordo com critérios desenhados pela Comissão​,​ sem custo para o Tribunal e aos adolescentes e jovens​ beneficiados​.

Em 27 de janeiro de 2015, os primeiros 25 adolescentes e jovens ingressaram no Curso, que possui duração de 10 meses e oferece ferramentas para que estejam preparados para ingressar no mercado de trabalho como aprendizes, abordando temas como: postura profissional, processo seletivo, competências comportamentais, relacionamento interpessoal, marketing pessoal, sustentabilidade no trabalho, comunicação e informação, entre outros. D​os integrantes dessa primeira turma, sete já ingressaram no mercado de trabalho.

A jovem Adriene Gomes de Souza é uma delas e há dois meses trabalha como Aprendiz no departamento pessoal da empresa Elite Segurança. Para ela, “o curso foi uma grande oportunidade para adquirir vários conhecimentos e está satisfeita com o resultado alcançado”. Para sua mãe Raimunda Gomes, ingressar no curso através da Campanha foi fundamental, pois a família não tinha condições financeiras de pagar cursos para ela, além do que o salário complementa a renda da família.

Conforme destaca a Juíza do Trabalho Maria Zuíla Lima Dutra, Gestora Regional e Coordenadora da Comissão do Programa do TRT8, o incentivo à aprendizagem é uma das frentes de atuação, assim como a conscientização da sociedade. Após a inserção do primeiro grupo de 25 adolescentes e jovens no curso, outros 75 tiveram a mesma oportunidade, sendo que 45 ingressaram em outubro de 2015 e cumprem regime socioeducativo. “A inserção de adolescentes e jovens em programas de aprendizagem é uma das nossas linhas de atuação, para que a necessidade de trabalho seja preenchida dentro dos princípios concebidos pela Lei de Aprendizagem, a partir dos 14 anos, fazendo a interação entre a escola e a formação profissional adequada. Este é o nosso grande objetivo e foi neste sentido que fizemos parceria com a Proativa, que nos disponibiliza vagas. Atualmente​,​ estamos trabalhando para selecionar outro grupo de adolescentes e jovens para inserir ​no curso preparatório ​o mais breve possível. Penso que cada pessoa que tiramos do mundo da dificuldade, do não saber e do mundo do trabalho infantil, representa o esforço da Justiça do Trabalho para melhorar a nossa sociedade como um todo”, destaca.

O Curso de Preparação para Aprendiz é visto como uma excelente oportunidade para todos envolvidos no processo, segundo destaca o Gestor da Proativa do Pará, Edivaldo Meireles. “O jovem, por não ter conhecimento do mercado de trabalho, chega no curso, é lapidado e encaminhado para uma empresa, começando sua trajetória de trabalho, ocupando todo o seu tempo, indo​à​ escola formal, para o trabalho e frequentando um curso profissionalizante durante toda a vigência do contrato. Para o empresário, é uma excelente oportunidade​,​ pois recebe jovens com potencial de crescimento e desenvolvimento dentro da empresa. Para a sociedade, de maneira transformadora, este jovem é focado nos estudos, trabalho e na convivência da comunidade”, afirma.

​Alinhada ao disposto pela Comissão Nacional de Combate ao Trabalho Infantil, a Comissão de Combate ao Trabalho Infantil do TRT8 elegeu o ano de 2016 como o Ano da Aprendizagem​, e pretende intensificar as ações voltadas ​ao tema, ​e permanecerá atuando na conscientização da sociedade sobre os males do trabalho infantil. “No último censo de 2014 houve um incremento no número de crianças trabalhando em todo o Brasil, o que mostra que esta luta tem que ser cada vez mais forte, mais intensa, tem que buscar cada vez mais adeptos, para que consigamos reverter esta situação que está posta e quem sabe realizar o sonho de ver o Estado do Pará e o Brasil sem trabalho infantil. Estamos fazendo nossa parte, dentro de nossas especificidades, e precisamos do envolvimento da sociedade. É fundamental o envolvimento maciço de todos e, quando isso acontecer, a gente elimina este problema”, declara Zuíla Dutra.


Fonte: Tribunal Regional do Trabalho - 8ª Região

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