quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Em meio a crise, busca por treinamento ganha espaço.

Em tempos de crise – que resultam em menos recursos e equipes menores – a oferta de treinamentos ganha importância como ferramenta para elevar a produtividade. Apostar na versatilidade do colaborador vira palavra de ordem neste momento de desaceleração econômica, principalmente em setores mais afetados como automotivo e da construção.
Na Wiabiliza, por exemplo, a alta foi de 30% na busca por treinamentos. Segundo pesquisa realizada pela consultoria empresarial, com 210 empresas, 67% das organizações planejam investir em treinamento, mesmo na crise.
De acordo com o sócio diretor da empresa, José Antonio Prudente, isso ocorre porque, em um momento de instabilidade econômica, as companhias ficam mais enxutas e com menos recursos, logo, precisam investir em equipes mais preparadas. “Quando o mercado está tranquilo você é quase um tirador de pedido. Mas quando não, a pressão por resultado e redução de custo aumenta. Quem não conseguir pode perder as vendas”, diz.
O executivo afirma ainda que a busca aumentou este ano. “O treinamento dá recursos para que os líderes consigam extrair o melhor das equipes no dia a dia. Além de proporcionar ferramentas para que os gestores aprendam a monitorar os resultados”, diz.
Os mercados que mais solicitam o produto são as empresas de varejo e consórcios. “Alguns buscam mais do que outros. Mas, no geral, todos os segmentos estão investindo em treinamento. Até as grandes indústrias que estão reduzindo seus quadros de funcionários também procuram o recurso. Agora, as equipes devem produzir por todos os que saíram”, relata ele ao DCI.
Alguns exemplos de clientes citados por ele são as contrutoras Edalco, Marques, Paulitec – especializada em obras com contrato público – e a Incorporadora Rofer. “Esse é um exemplo de um mercado menos aquecido, mas que continua apostando no ganho de produtividade”.
Quando questionado sobre qual cargo é o mais procurado para treinamento, o executivo esclarece: “As pessoas que coordenam equipes são o foco neste momento. A maioria é de média gerência e supervisão, porque devem cuidar das pessoas e dos processos. Eles devem garantir resultado e qualidade”, explica Prudente.
As regiões mais atendidas pela empresa são: o interior de São Paulo e os estados do Centro-Oeste como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. “Hoje, 90% dos nossos clientes são do setor de agronegócio. Mas, em conversa com os nossos concorrentes, vemos uma procura generalizada”, ressalta.
Engajamento
Ainda segundo a pesquisa, o treinamento continua sendo utilizado como forma de engajar os funcionários com a empresa. Em números, 60% das 210 empresas consultadas estão investindo em treinamento, cursos e formação acadêmica para manter as lideranças motivadas.
Os outros elementos de engajamento utilizados hoje pelas companhias são: envolvimento das lideranças em novos projetos (58%), avaliação e feedback (53%), participação dos líderes em decisões estratégicas (43%), novas metas e desafios (41%), oportunidade para desenvolvimento de carreiras (40%), remuneração por objetivos e resultados (35%) e coaching (8%).
Consultoria em alta
Ao contrário do que se espera em um momento de instabilidade econômica, a maior parte dos serviços da consultoria não tiveram queda. “A diferença este ano é que os clientes estão negociando mais. Por isso tivemos que rever os nossos preços”, diz Prudente.
Os principais serviços procurados, segundo ele, são: trabalho de reestruturação das empresas, revisão nas estruturas de salários, sistemas de avaliação de desempenho, mapeamento de potencial e sistema de gestão de carreira.
O único serviço que teve queda no mercado de consultoria é o que envolve seleção de novos funcionários. “Ainda tem procura devido a dois fatores: o primeiro é que alguns mercados continuam em alta e contratando e o segundo é que muitos funcionários estão sendo substituídos. Mas não é o suficiente para suprir a queda do volume total. Aqui tivemos uma redução de quase 30% na busca pelo serviço”, analisa.
Fonte: Diário do Comércio, Indústria e Serviços, por Vivian Ito, 21.10.2015

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