segunda-feira, 13 de abril de 2015

Companhias buscam cortar gastos com plano de saúde.

Diante do cenário macroeconômico previsto este ano, as empresas que concedem convênio médico aos seus funcionários estão indo além das negociações tradicionais de preço. Agora, as empresas estão aumentando a fatia da coparticipação paga pelo empregado em alguns procedimentos, analisando planos de abrangência regional ou mesmo a troca de operadora ou seguradora de saúde. O benefício é a segunda maior despesa da área de Recursos Humanos, mas não pode ser simplesmente eliminado devido a acordos sindicais ou porque provocaria uma insatisfação generalizada na equipe.

"Há muitas empresas aumentando a coparticipação para pagar o plano de saúde. Deixou de ser um valor simbólico. Nas consultas feitas em pronto-socorro, a contribuição do funcionário em alguns casos já chega a 30%", disse Marcelo Avena, vice-presidente da Willis, consultoria inglesa que administra uma carteira com cerca de 800 mil usuários de planos corporativos de saúde e dental no Brasil. Pela coparticipação, os funcionários pagam uma parcela de cada consulta ou exame simples realizado. O mecanismo é adotado em planos empresariais para inibir o uso exagerado do benefício e garantir às companhias um desconto de cerca de 5% na renovação da apólice. O mais comum era que fosse descontado do empregado, em média, 10% do valor do procedimento. Esse percentual agora está subindo para uma faixa entre 20% e 30%.

Segundo Avena, outra demanda de alguns empresários é a troca do plano de saúde com abrangência nacional para cobertura regional. Uma das operadoras que está de olho nessa oportunidade é a São Francisco Saúde, que atua no interior de São Paulo, sul de Minas Gerais e Centro-Oeste. "Estimamos um crescimento de cerca de 20% na receita neste ano. Em períodos de crise, vamos na contramão e já percebemos um aumento nas prospecções", disse Lício Cintra, superintendente da São Francisco Saúde, que tem 700 mil usuários de convênios médico e dental.

O grupo São Francisco também é dono de hospitais, laboratórios, consultórios e de uma empresa de resgate, com ambulância e helicóptero, que atua nas rodovias privatizadas e no Aeroporto de Guarulhos. A grupo prevê fechar o ano com faturamento de R$ 1 bilhão. "Nosso tíquete médio é de R$ 110. Conseguimos esse valor porque temos uma rede própria e atuamos em praças específicas em que a concorrência, muitas vezes, não quer ir", explicou Cintra.

Na Aon, consultoria americana que administra convênios médicos de 1,3 milhão de usuários no país, cresceu a procura por novos formatos de planos. As empresas também estão mais abertas a analisar outras seguradoras ou operadoras. "Antes havia uma resistência em trocar de seguradora e a prioridade era negociar o reajuste. Mas, hoje, as empresas estão abertas a ver outros planos, inclusive, com grande antecedência da data de renovação [dos seus contratos atuais]", disse Marcelo Borges, vice-presidente executivo da Aon.

A preocupação das empresas não é à toa. Segundo um levantamento da Aon, a previsão é que os planos de saúde empresariais, que representam 65% do total, sofram neste ano um reajuste médio de 18% no Brasil. Trata-se de um percentual bem acima da média mundial estimada em 10,5%. Além disso, os custos brasileiros da saúde caminham para uma curva crescente e nos Estados Unidos, por exemplo, há uma desaceleração.



Fonte: Valor Econômico, por Beth Koike, 13.04.2015

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